domingo, 1 de julho de 2012

Pernambuco investe em infraestrutura para a Copa

26/06/2012 - Valor Econômico

Um conjunto de 18 obras viárias, executadas pelo governo de Pernambuco e pela Prefeitura do Recife para facilitar a movimentação de torcedores e turistas na capital durante a Copa, vai ficar também como um legado para desafogar o trânsito pesado e caótico da cidade. Com investimentos de R$ 1,47 bilhão, em financiamentos federais e contrapartidas estadual e municipal, a cidade vai receber corredores inteligentes de ônibus, terminais de passageiros, mais uma estação de Metrô, viadutos e a duplicação de um trecho de 42 quilômetros da rodovia BR-408, que liga Pernambuco à Paraíba, passando pelo município de São Lourenço da Mata, onde está sendo construída a arena da Copa. Ganhará também sua primeira via expressa, a Via Mangue, projeto da prefeitura de Recife, com longos trechos suspensos, para não comprometer o frágil ecossistema de um manguezal, que funcionará como alternativa às três avenidas que cortam a capital no sentido norte-sul.

Para Flávio Figueiredo, secretário executivo da Secretaria de Cidades do Estado de Pernambuco, as obras viárias são o maior legado do evento para a cidade. "Recife vai ficar com um sistema de transporte bem mais eficiente, mais confortável e integrado, que vai beneficiar cerca de 1 milhão de passageiros por dia. É um legado imediato e muito democrático", diz. As obras vão beneficiar os passageiros dos 14 municípios que formam a Região Metropolitana de Recife. O sistema de transporte público de passageiros da Grande Recife conta com 390 linhas de ônibus e 3 mil veículos, que realizam 26 mil viagens por dia. São transportados diariamente na região cerca de 2 milhões de pessoas.

A Secretaria Extraordinária da Copa do governo de Pernambuco dividiu as obras viárias prioritárias em dois blocos. O primeiro, com 13 projetos, no valor de R$ 694 milhões, deve ficar pronto a tempo da Copa das Confederações, de junho 2013, entre os quais a conclusão de viadutos, duplicação da BR-408, construção da estação de metrô Cosme e Damião, próxima à arena, uma passarela perto do aeroporto e terminais de passageiros. O segundo bloco está previsto para 2014, com investimentos de R$ 773,4 milhões, e abrange cinco projetos - dois corredores de ônibus que cortarão a cidade nos sentidos leste-oeste e norte-sul, terminal marítimo de passageiros, a Via Mangue e uma nova torre de controle para o aeroporto. Por sua complexidade, a via expressa ficará com a maior parte dos recursos - R$ 433 milhões.

Somando-se as obras incluídas no PAC da Mobilidade, os recursos chegam a R$ 2,9 bilhões, segundo a prefeitura de Recife. O programa federal, embora não ligado diretamente ao evento esportivo, prioriza obras que facilitem a circulação de torcedores e turistas durante a Copa. Com R$ 821 milhões do programa, a prefeitura de Recife vai implantar a infraestrutura de corredor exclusivo de ônibus nas avenidas II Perimetral, III Perimetral e Radial Sul, ligando o bairro do Ibura, um dos mais pobres de Recife, ao de Boa Viagem, ambos na zona sul.

Outros R$ 593,8 milhões do PAC Mobilidade, que serão repassados ao governo do Estado, vão ser utilizados para implantar o sistema de Bus Rapid Transit (BRT), sistema inteligente de ônibus, na II Perimetral/Via Metropolitana Norte e IV Perimetral (BR-101), no contorno da capital. Para a construção de infraestrutura de BRT nos corredores leste-oeste, norte-sul e na Avenida Norte, o governo do Estado contará com R$ 1,2 bilhão. Está prevista a implantação de um corredor fluvial de transporte, com investimento de R$ 288 milhões do programa federal.

Os corredores inteligentes de ônibus, além de introduzirem o conforto das paradas fechadas e climatizadas, são mais eficientes e mais econômicos. Segundo Flávio Figueiredo, eles têm capacidade para transportar até 40 mil passageiros por hora, enquanto o sistema de ônibus comum não transporta mais do que 15 mil. "Eles têm eficiência próxima à do metrô, com custo de implantação próximo ao de linhas de ônibus", diz o secretário. Os ônibus serão articulados, dotados de GPS e monitorados por uma central de controle operacional, que estipula a distância entre eles, diminuindo ou aumentando os intervalos de acordo com o movimento de passageiros. A ampliação do número de terminais integrados, dos atuais 14 para 25 até 2014, vai imprimir mais eficiência a todo o sistema e trazer mais economia para os usuários.

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