domingo, 5 de setembro de 2010

Preço dos imóveis dispara no Grande Recife



Publicado em 04.09.2010, às 21h15

Giovanni Sandes De Economia/ JC
 
Guardar dinheiro na velha caderneta de poupança para dar entrada em um apartamento novo na Região Metropolitana do Recife (RMR) é uma estratégia muito questionável. Enquanto o tamanho dos apartamentos novos só faz cair, seus preços sobem rápido e impulsionam o custo do metro quadrado. Em qualquer comparativo, usando a inflação ou a própria poupança, o preço dos imóveis ganha na corrida. O crédito fácil mantém o consumo, mas o próprio mercado já começa a questionar qual o limite dessa subida de preços. O investidor em imóveis precisa se preparar para uma menor rentabilidade.

Faltam indicadores precisos para medir o m² em todo o Grande Recife. Mas o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi), Alexandre Mirinda, estima que só nos dois últimos anos a alta foi de 30%. No período, a poupança subiu 14,98% (veja arte).

“Não diria que está caro. Antes do boom imobiliário, os preços estavam defasados. Hoje, temos equilíbrio de preços. E nos últimos seis meses o metro quadrado estacionou”, afirma Mirinda. Mas os consumidores e os números do mercado ainda não mostram a parada nos preços.

“Eu morava com minha esposa em uma casa alugada. Vimos que o aluguel pagaria um apartamento. Porém, os preços estão mudando muito, a cada 30 dias. Entre achar o apartamento que comprei, que estava a R$ 96 mil, e comprar, por R$ 118 mil, foram só dois meses”, diz o funcionário público Márcio Alencar, 38 anos.
Ele vive há dois meses com a esposa Carolina Alencar, 25 anos, e o filho, de três anos, na casa da sogra. Sem o aluguel, paga todos os meses a prestação da vez e a última parcela, reduzindo mais rápido o saldo devedor. Márcio, porém, ficou indeciso até a compra. Optou pelo Cordeiro após conferir outros dois bairros. “Embora os preços estejam altos, há muita oferta.”

A pedido do JC, a Unidade de Pesquisas Técnicas (Uptec) da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) calculou a variação do m² nos bairros que mais se destacaram na oferta de apartamentos novos desde 2005. Osangela Sena, economista da Uptec, ressalta que não se pode fazer o cálculo para a RMR inteira, pois nem todos os bairros têm preços registrados mensalmente.

Na média anual de 2005 até 2010 (considerando o período de janeiro a julho), Casa Caiada, em Olinda, lidera o crescimento percentual, com uma alta de 73,10%. Lá, o metro quadrado custa, em média, R$ 2.577. Em 2005 era R$ 1.488. Boa Viagem, que tem o metro quadrado mais caro do Grande Recife, viu seus preços subirem 67,36%, de R$ 2.035 para R$ 3.406. Em Casa Forte, o aumento foi de R$ 1.736 para R$ 2.930, ou 68,75%. Ou seja, nos três bairros, as subidas de preços ficaram em torno de 70%.

Enquanto isso, no mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do País, cresceu 29,68%, e o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), muito usado em aluguéis, avançou 29,35%. A poupança cresceu 52,64%.

Apesar da subida, no acumulado de 2010 até julho foram 5.093 imóveis vendidos no Grande Recife, contra 2.729 em igual período do ano passado e 2.152 nos mesmos sete meses de 2008. “A razão das vendas continuarem firmes é o crédito facilitado. Não só a disponibilidade, mas o montante do financiamento incentiva as pessoas a comprar um imóvel novo”, comenta o economista Heródoto Moreira.

A questão crucial é até quando (e quanto) o consumidor suportará uma alta tão rápida de preços. Na média, Boa Viagem, Casa Forte e Casa Caiada tiveram mais de R$ 1.000 em reajuste no m², no confronto da média dos sete meses deste ano com o apurado em 2009.

Fabiano Santos de Souza, 30 anos, diretor comercial de uma agência turismo, recebeu as chaves de seu primeiro apartamento em março. Mas ainda está montando a casa, depois de gastar mais do que o esperado na aquisição do imóvel.

“No começo, imaginei comprar em Boa Viagem por R$ 50 mil, R$ 60 mil. Imagina a inexperiência? Quando fui procurar, não encontrei nada disso. Estava a R$ 100 mil, R$ 150 mil. Comprei por R$ 140 mil. Hoje está avaliado em R$ 200 mil. São 60 metros quadrados”, conta Fabiano.

“Ninguém sabe o que acontecerá com os preços. Mas o ritmo dos aumentos vai cair. Acho que o grande salto já foi dado. Tem gente que acha que isso vai até 2014. Acho que o recado é: imóveis continuarão um bom investimento. Mas o retorno será menor”, avalia o diretor da True Imóveis, Henrique Abath.

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